Importância da atividade física na saúde mental

Atividade fisica

É fato que todos nós já ouvimos em algum lugar, ou muitos, que a atividade física é importante para saúde. Porém, pela repetição das informações, vamos nos acostumando com elas e acabamos por naturalizá-las. Paramos então de pensar acerca dos conceitos e das frases prontas que nos invadem cotidianamente, e não questionamos mais o que eles tem a nos dizer, qual o sentido, a veracidade e o impacto que algumas dessas ideias podem ter em nossas vidas. Pensar sobre atividade física significa pensar sobre o nosso corpo, que por toda a sua história evolutiva se valeu de seus atributos fisiológicos na realização de atividades físicas de alta demanda e potência como modo de sobreviver, desenvolver ferramentas, criar e transmitir cultura.

Dessa forma, temos todo um aparato biológico que necessita de estímulos físicos regulares e com alguma intensidade para manutenção do bom funcionamento corporal e, consequentemente, da saúde física e mental. Foram as tarefas intensas como caça, pesca, coleta, longas caminhadas e lutas com outras tribos que nos forjaram como espécie.
No entanto, nossas condições atuais de vida, calcadas no sedentarismo, não favorecem o bom uso de nosso “equipamento” biológico, e isso se reflete nos índices cada vez maiores de doenças e dores crônicas, geralmente de causas evitáveis, que causam sofrimentos, prejuízos e mortes prematuras. As atividades de vida diária geralmente não são estímulos fortes o suficiente para promover adaptações e utilização da potência do corpo em sua plenitude.

Daí a importância de uma rotina de atividades de, no mínimo, média intensidade, que cumpram os critérios de intensidade e frequência parar gerar modificações corporais a ponto de aproximar a nós humanos de nossas origens como espécie.

As principais adaptações fisiológicas resultantes da atividade física regular que protegem o indivíduo de doenças crônicas se dão nos seguintes sistemas:

  • Sistema Cardiovascular: quando nos exercitamos, ativamos produção de energia via maior utilização de oxigênio, assim, o coração, o pulmão e os vasos sanguíneos são mais requisitados e se modificam especialmente o músculo cardíaco que se torna mais eficiente o bombeamento de sangue e transporte mais eficiente de oxigênio, além da queda da pressão arterial de repouso.
  • Sistema Respiratório: por ser o órgão responsável pelas trocas gasosas (entrada de oxigênio e eliminação de dióxido de carbono), o treinamento cardiovascular também melhora a capacidade e volume dos pulmões, prevenindo e tratando doenças como asma, enfisema pulmonar e insuficiência respiratória.
  • Sistema Muscular: os músculos são os órgãos que mais se adaptam ao treinamento, tanto em termos de coordenação motora quanto em hipertrofia (ganho de massa e força). O desenvolvimento de massa magra aumenta a capacidade de realizar tarefas intensas e retarda a perda muscular (sarcopenia) na terceira idade, o que permite prevenir quedas e manter o idoso mais funcional e independente por mais tempo de vida.

Esses efeitos são geralmente os mais conhecidos, mas também há toda uma gama de melhorias e promoção de saúde mental, cujos índices de adoecimento atuais preocupam e assustam a todos nós.
Alguns desses efeitos são a redução do estresse e ansiedade, tão comuns em nosso dia-a-dia (por reduzir os níveis de cortisol produzido pelas múltiplas demandas diárias, além de aumento dos níveis de outros neurotransmissores, como serotonina e dopamina, associados à sensações de bem-estar); a melhoria do humor (pela liberação de endorfinas e melhoria do sono); o aumento da autoestima e autoimagem (pois à medida que as pessoas se propõem metas as atingem, percebendo melhorias em sua aptidão física há uma tendência a sentirem-se mais confiantes), bem como o espaço da atividade física oferecer espaço e tempo para reflexão e relaxamento e melhor processamento das emoções e pensamentos, melhoram o foco e a concentração de maneira geral a todos os praticantes.

Além desses benefícios, há outros efeitos de ordem sociais, como melhora na capacidade de enfrentamento da vida e das adversidades e ganhos importantes de socialização, sendo a conexão social fundamental para a saúde mental e melhora na produtividade, capacidade de sentir prazer e engajamento com a comunidade. É importante lembrar que a quantidade ótima e o tipo de atividade ou exercício físico mais adequado variam de pessoa para pessoa, e é importante encontrar uma atividade física de que se goste e seja possível sentir prazer, justamente para que seja sustentável a longo prazo e mantenha-se como projeto de vida. Consultar um profissional de educação física é sempre importante antes de iniciar um programa de exercícios, além de verificar com frequências as condições de saúde.

Fontes:
Dra. Lígia Silveira Frascareli/ psi_estação
https://naturallser.com.br/postagens
Imagens: google.com